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Lei do airbag pode tirar Brasil do atraso na segurança automotiva

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airbag_daimlerQuando se trata de questões automotivas, o Brasil é uma espécie de contra-referência. Seja em plataformas de veículos, reestilizações ou em novas tecnologias. Os produtos oferecidos aqui perdem feio quando comparados aos vendidos em outros países. E é na segurança que esta desvantagem torna-se mais visível, quando comparada aos modelos dos Estados Unidos e da Europa.

Enquanto os norte-americanos já têm como obrigatório o uso de airbags frontais desde 1999 e regulamentam o uso de airbags externos para a proteção dos pedestres em caso de atropelamento, a legislação brasileira tenta aprovar a primeira lei para exigir o uso de airbags frontais, em 2012. O projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) já passou pela Câmara dos Deputados e vai para a aprovação no Senado Federal. Atualmente, apenas algo em torno de 10% dos carros vendidos no Brasil vêm com airbag de série.

A pequena aplicação de airbags no mercado brasileiro é um aspecto cultural e não apenas financeiro. “O brasileiro prefere gastar em sistema de som em vez da segurança. Se o airbag fosse obrigatório, os impactos no preço seriam mínimos, já que afetariam a todos os fabricantes”, analisa o consultor técnico da Fiat Carlos Henrique Ferreira. As montadoras também têm sua “culpa” — e, principalmente nos segmentos dos compactos, não estimulam a venda do equipamento, o que explica a grande defasagem brasileira.

Em alguns carros, o airbag é impraticável: casos da Kombi, da Volkswagen, e do Mille, da Fiat. Estes dois modelos tendem a desaparecer, caso a lei seja sancionada. Tarefa mais fácil vivem as montadoras que vendem modelos mais contemporâneos. E, mesmo assim, mudanças podem ocorrer. “Temos o airbag como item de série em nossos modelos, mas nosso fornecedor é internacional”, conta Mário Furtado, gerente de marketing da Nissan.

Com isso, uma nova tendência começa a surgir no mercado automotivo. A “nacionalização” do airbag entra na agenda das fabricantes de itens de segurança. Hoje em dia, um par de airbags custa, em média, entre R$ 1.500 e R$ 2.500. No Brasil, a Takata Petri e a Autoliv montam airbags em Jundiaí e em Taubaté, respectivamente. A Autoliv produz 150 mil airbags por ano, enquanto a Takata alcança os 700 mil ao ano, embora tenha uma capacidade produtiva de 1 milhão no mesmo período. Porém, a maioria dos componentes vem de fora, tendo poucos elementos feitos no Brasil.

Uma novidade no mercado nacional é a TRW Automotive, que vai trazer a produção de airbags para cá. A fabricante já possui nove plantas ­em terras brasileiras (onde produz sistemas de freios, de direção, cintos de segurança, entre outros equipamentos) e iniciará a produção des bolsas infláveis no início de 2009. Sem contar o dispositivo que infla o airbag — a cápsula explosiva –, o produto é quase todo feito aqui.

“Se a lei for aprovada, tentaremos fazer um produto totalmente nacional. Em 2014, já pretendemos ter um airbag brasileiro”, confirma Wilson Rocha, diretor de vendas e engenharia da TRW Automotive. A empresa atualmente importa airbags para alguns modelos da Fiat, Peugeot, Citroën, Ford e Honda.

Bolsa estrangeira
Enquanto essa nacionalização não é uma realidade, a importação ainda é a saída para as montadoras e fabricantes de itens de segurança. A situação favorável da moeda brasileira no cenário internacional ajuda. “O custo chega ao consumidor, já que não há uma política de incentivo fiscal diferenciada para esses equipamentos”, critica Alexandre Cury, gerente de pós-venda da Honda.

Segundo um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o pequeno uso de airbags aliados a outros fatores, como a falta de informação da população e má conservação das estradas nacionais, contribuem para que anualmente morram entre 38 mil a 45 mil pessoas vítimas do trânsito. “Temos de agir a curto prazo. A instalação do airbag reduz a gravidade do acidente e o número de mortes”, diz Marcelo de Siqueira, diretor de estudos regionais e urbanos do Ipea.
(por Bernardo Feital)

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