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Pirelli e Bridgestone dão ferias coletivas

5 de Fevereiro de 2009

Em resposta à crise financeira mundial e em consequência da queda na demanda do setor automotivo, a Pirelli Pneus informou ontem ao Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo que vai conceder férias coletivas a 2.500 funcionários da unidade de Santo André, no ABC paulista. “Esta foi uma das alternativas que a empresa encontrou para não mandar os funcionários embora. A questão é que a produção está alta e os estoques também, então é uma questão de ajuste”, afirma Gilberto Rodrigues Cardoso, diretor do Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo. Apreensão. De acordo com o sindicato, dos 2.500 funcionários que entrarão em férias, 1.800 atuam na fábrica e o restante no setor administrativo. As férias coletivas terão início em 19 de fevereiro e terminam em 6 de março de 2009. “Esperamos que ao final destas férias as coisas se normalizem e que não ocorram novas demissões”, avalia Cardoso. A Pirelli Pneus informou, por meio de comunicado, que irá concentrar as férias coletivas das principais fábricas no Carnaval e que os empregados retornarão às atividades após este período. Ainda segundo a empresa, não há programa de demissões em suas unidades no País. No final de 2008, a empresa já havia anunciado férias coletivas, os funcionários retornaram em 3 de janeiro. Na Bahia, as empresas que compõem o pólo baiano de pneus – Pirelli, Continental e Bridgestone – evitam se pronunciar sobre os efeitos da crise, mas, desde que voltaram no mês passado das férias coletivas, os trabalhadores do setor estão apreensivos com a possibilidade de demissão. A insegurança vem principalmente da retração do mercado automotivo e da queda das exportações. As vendas externas das indústrias de pneumáticos, segundo o Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia-, caíram 7,5% no ano passado, com agravamento no último trimestre e sinalização de piora este ano. As unidades instaladas na Bahia produzem diariamente cerca de 36 mil pneus. Deste total, mais de 50% são destinados à montagem de automóveis. A outra metade abastece os mercados externo e de reposição. Pelo menos 3,2 mil pessoas trabalham nas unidades baianas da Bridgestone, Pirelli e Continental. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Borracha de Camaçari e Simões Filho, Clodoaldo Gomes, diz que nem mesmo o acordo coletivo que veda demissões no período pós – férias coletivas traz alívio aos trabalhadores. “É um período de incerteza, que afeta toda a cadeia automotiva”, diz Gomes. Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Pneumáticos da Bahia (Sindiborracha), Genésio Bispo, afirma que 20 de um total de 1,3 mil trabalhadores da Pirelli, em Feira de Santana, foram demitidos no mês passado, depois das férias coletivas. De acordo com Bispo, a Pirelli teria informado que as demissões foram por conta da crise. ” E como a gente estava em férias coletivas, não houve nem mesmo a possibilidade de que o sindicato contestasse esta situação”, lamenta o sindicalista. Queda nas exportações. Para o economista Arhur Souza Cruz, gerente de estudos e informações do Promo, com a queda das exportações, a tendência é que seja diminuída a produção de pneus. “O dólar ainda está muito volátil, há escassez de crédito e uma redução cada vez maior dos pedidos. Pneus não fogem à regra da crise. É um setor que está atrelado à indústria automotiva”, comenta. Segundo ele, o faturamento do setor pneumático sofreria um impacto ainda maior se não fosse o aumento de preço do produto para incrementar a receita. Ajustes na produção. A Bridgestone do Brasil informou ontem que vai dar férias coletivas para os funcionários do setor de produção das fábricas de Santo André, no ABC paulista, e de Camaçari (BA) por 16 dias , no período de 9 a 25 de fevereiro. Essa é a primeira medida emergencial adotada pela empresa no País. No final do ano passado, a fabricante de pneus reduziu sua produção com as tradicionais férias coletivas. A decisão da empresa de conceder férias coletivas aos seus empregados, segundo o departamento de relações corporativas da companhia, é para ajustar os estoques de pneus de caminhões, que tiveram queda de vendas em janeiro de 24,4%. Segundo a Bridgestone, caso o cenário do setor automotivo não se reverta, a empresa irá buscar outras alternativas junto com o Sindicato dos Metalúrgicos. Para ajustar a produção à atual demanda do mercado e reduzir o volume de estoques, a Bridgestone reduziu um dia de produção nas suas fábricas, eliminando as atividades aos domingos. Atualmente a empresa produz 33 mil pneus por dia. (Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 4)(Déborah Costa, Sonia Moraes e José Pacheco Maia Filho)

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