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Taxação de pneu chinês ajudará mercado

Taxação de pneu chinês ajudará mercad

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

Com a decisão tomada quinta-feira pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) em sobretaxar durante cinco anos os pneus importados da China para caminhões e ônibus, a expectativa é de recuperação da fatia de mercado perdida desde 2003, quando o produto começou a ingressar no País.

Para Eugenio Deliberato, presidente da Anip ( Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), a medida é extremamente importante para a recuperação do mercado. Queremos apenas uma concorrência leal no cenário doméstico, e não fazer reserva de mercado”, afirmou.

De acordo com a resolução da Camex, em abril de 2003, a participação chinesa no setor de pneus era de 0,3%. Já, em março de 2008, era de 9,6%. “Foi um crescimento fantástico, de quase 10%. Por isso entramos com pedido de investigação de dumping no ano passado.”

A prática de dumping configura uma situação de prática desleal de comércio, em que, por exemplo, o produto importado entra no mercado doméstico com um preço abaixo do normal, a fim de quebrar a concorrência e conquistar mais clientes.

“Os custos dos pneus chineses são evidentemente inferiores a qualquer valor razoável. As condições chineses de trabalho são trágicas. O problema é que a indústria pneumática lá é subvencionada pelo governo”, apontou Sidnei Muneratti, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) e ex-diretor da Pirelli.

Ainda segundo a resolução da Camex, a participação das indústrias nacionais no mercado brasileiro era de 75,7% em 2003. No ano passado, essa fatia de mercado caiu para 64,7%. “Os volumes importados da China cresceram 5.317% em cinco anos. É um absurdo”, avaliou Deliberato, da Anip.

Os indicadores da situação desleal, conforme colocou o presidente da associação, foram a queda na participação das vendas do mercado interno de maneira desproporcional ao crescimento do produto chinês; a depreciação dos preços do produto nacional; a perda de lucratividade e a consequente elevação dos estoques.

“A indústria nacional foi baixando os preços para competir, até que igualou seu preço ao do produto importado”, lembrou Deliberato.

EMPREGOS – Na opinião de Muneratti, ex-Pirelli e atual presidente da Acisa, a medida é absolutamente correta, uma vez que não se pode permitir o declínio de empresas radicadas no Brasil há tanto tempo. “São quase 10 mil empregos somente no Grande ABC, onde estão a Pirelli e a Bridgestone Firestone, duas das maiores fabricantes de pneumáticos do mundo. Sem contar que, com uma concorrência desleal, a região deixa de ganhar em serviços e produtos também”.

Agora, os pneus de aros 20,22 e 22,5 para ônibus e caminhões vão pagar entre US$ 1,12 e US$ 2,59 por quilo para entrar em território nacional. Isso varia de acordo com a quantidade de dumping feito.

Em dezembro de 2008, a Camex já havia aplicado, provisoriamente, por seis meses, alíquota de US$ 1,33 por quilo de pneus vindos da China.

Na resolução da Camex serão penalizadas oito empresas chinesas, mas na realidade, segundo Deliberato, existem mais de 100 fabricantes de pneus na China.

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