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COPOM DEVE REDUZIR SELIC EM 150 BPS EM MARÇO

O acirramento da crise financeira internacional e as perspectivas de um aprofundamento dos seus impactos sobre a economia real, tanto mundial quanto brasileira, justificam uma aceleração no ritmo de cortes da taxa Selic na próxima reunião de política monetária, na mesma linha do que foi feito na maioria dos outros países. Esperamos que o Copom decida por uma redução de 150 bps na Selic na próxima semana, levando a taxa de juros ao patamar de 11,25% ao ano.

A ausência de uma linha clara de medidas para solucionar a crise do sistema financeiro não tem permitido a volta do mercado de crédito mundial e, consequentemente, mantido o quadro de forte desaceleração da economia global. Quedas expressivas do PIB no quarto trimestre de 2008 devem se repetir neste início de ano em diversos países, sustentando as expectativas negativas para o crescimento de 2009 e os temores de contaminação também do crescimento de 2010.

Neste contexto, a economia brasileira deve continuar sentindo os efeitos da desaceleração mundial, com chances muito reduzidas de uma retomada no curto prazo. Os resultados da produção industrial de janeiro, recém divulgados, vieram muito negativos, com uma queda de 17% na comparação anual, a despeito da recuperação do setor automotivo, o que mostra que há uma queda generalizada da produção em todos os setores. Sendo assim, mesmo considerando alguma recuperação no segundo semestre, dificilmente o crescimento brasileiro neste ano será superior a 1,0%.

Em um cenário de fortes quedas do ritmo de atividade e da inflação mundial, parece pouco provável um aumento das pressões inflacionárias domésticas . O componente inercial da inflação brasileira realmente é maior do que em outros países, como vem sendo ressaltado pelo Banco Central, o que explica a maior resistência a quedas bruscas dos índices de preços brasileiros. Tal componente, no entanto, não deve impedir a inflação brasileira de caminhar para patamares inferiores à meta nos próximos meses.

Todo esse contexto nos leva a acreditar em uma aceleração do ritmo de cortes da Selic para 150 bps no próximo Copom. Para o restante do ano, as incertezas no cenário externo dificultam quantificar a magnitude total do ajuste, mas já trabalhamos uma taxa de juros de um dígito antes do final do ano.

Maristella Ansanelli
Flávio Mendes

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