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CRISE JÁ ATINGE O MERCADO DE TRABALHO

O mercado de trabalho brasileiro já começou a sofrer os impactos da crise, que deve acentuar ainda mais o fechamento de postos de trabalho nos próximos meses. Estimamos que a taxa de desemprego medida pelo IBGE supere os 10% nos meses de março e abril.

Os dados de emprego formal (CAGED) registraram redução de 800 mil vagas nos últimos três meses e as perspectivas para os próximos meses sinalizam novos números negativos pela frente. O noticiário das últimas semanas foi repleto de anúncios de demissões e negociações entre empresários e sindicatos, que devem aparecer nos indicadores oficiais de emprego ao longo dos próximos meses.

Os dados do IBGE surpreenderam com a piora registrada neste início de ano. A taxa de desemprego subiu de 6,8% em dezembro para 8,2% em janeiro, registrando uma piora muito acima do padrão sazonal para o período. O número de desocupados em janeiro foi 20% superior ao de dezembro. Na comparação com janeiro do ano passado houve também um aumento tanto na taxa de desemprego quanto no número de desocupados.

Em termos dessazonalizados, os indicadores do IBGE mostram uma piora das condições do mercado de trabalho desde setembro. Agosto registrou o melhor resultado da série, com 7,4% de taxa de desemprego, valor que encerrou o ano em 8,1% e subiu para 8,6% em janeiro. Para os próximos meses, estimamos que este indicador também se aproxime dos 10%.

A piora das condições do mercado de trabalho é somente mais uma evidência dos impactos da crise internacional sobre a economia brasileira. Na ausência de perspectivas de uma solução rápida para a crise do sistema financeiro mundial, fica muito difícil ver um cenário mais favorável para a economia global e, consequentemente, para a economia brasileira. Sendo assim, o mercado de trabalho também não deve trazer boas notícias no curto prazo.

Maristella Ansanelli
Flávio Mendes

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